terça-feira, 4 de março de 2014

Estou com...desejos!

Devo dizer que tenho muito a experimentar, vários sítios onde ir...cafés e espaços engraçados que abrem no coração de Lisboa, exposições e colóquios nas melhores instituições na capital (de que é exemplo a Fundação Calouste Gulbenkian). Lisboa está no centro da cultura a nível nacional, é uma cidade viva de que muito me orgulho. Não esquecer a tendência dos mercados e festas gastronómicas, como é exemplo o Mercado Gourmet no Campo Pequeno e o Mercado de Campo de Ourique! Ambas as experiências são de ir e chorar por mais. Para quem gosta de uma mistura de todos os tipos de experiências, desde cinema, a exposições, gastronomia e soirées, tudo em francês, tem uma excelente opção: a Festa da Francofonia a decorrer em várias regiões do País de 7 a27 de Março! Todas as informações estão no site: http://www.fetedelafrancophonie.com/
 
Agora, tenho de ser sincera: aquilo de que tenho mesmo mais saudades não é de nada intelectual. É de P-R-A-I-A, sol e Verão! Por isso, parte deste fim-de-semana terá de ficar reservado para esta intenção balnear, tendo em conta que o tempo vai estar agradável...já estou farta de toda esta tonalidade "cal de parede"!
Há que aproveitar agora que não há muita gente, tenho o espaço todo que quiser e não me tenho de preocupar excessivamente com a minha linha...(aliás, até me dá jeito, que afugenta qualquer emplastro que ouse tirar-me o sossego!).
 
 
 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lisboa, minha cidade

Ainda não fui a muitos sítios, mas aqueles onde já fui conseguiram prover-me de uma ideia do quão diferentes duas regiões relativamente próximas podem ser. Refiro-me tanto à geografia, como à cultura, hábitos, quotidiano, arquitectura, educação. Resumindo: formas diferentes de ver uma mesma vida. Penso que é pelo facto de ficarmos a conhecer todas estas perspectivas diferentes que se diz que as viagens são as únicas coisas em que se gasta dinheiro e se fica mais rico. Concordo. O mais recente sítio onde fui foi Genebra, na Suíça. Muito sinceramente, adorei lá estar porque me identifico bastante com a experiência. Vive-se um intenso ambiente multicultural em (pelo menos aparente) simbiose. Os estilos arquitectónicos mais antigos e modernos misturam-se sem chocar. Faz mesmo parte da paisagem, o que leva a crer que há simultaneamente uma protecção da tradição e da história, mas há também uma receptividade do que é novo e inovador. Mais ainda: tudo funciona, todas as regras são cumpridas. Os serviços e transportes públicos são pontuais e eficientes, tal como as pessoas. Não são o povo mais simpático que se encontra, mas, quando abordadas, as pessoas são simpáticas e prestáveis. Vão directas ao assunto sem floreados ou necessidade de muitos sorrisos. Há um grande sentido cívico. Não se vêem carros mal estacionados ou em "segunda fila", não há pessoas a passar com o sinal vermelho (nem com o amarelo, quanto mais) e há um grande respeito pelos peões. Claro que também há excepções, mas não são de todo a regra.
Resumindo, Genebra é uma cidade eficiente e é aí que reside a sua beleza. Claro que a visão panorâmica da cidade é bastante agradável, mas o que me encatou foi que, mais do que tudo à minha ser bonito, percebi que tudo estava bem feito. Tudo está pensado racionalmente de baixo para cima.
Apesar de toda esta experiência, no entanto, nada no fim ultrapassa a minha querida e amada Lisboa. Por muitos buracos e ineficiência que ela possa ter, tudo isso vale a pena quando acordo de manhã com os raios de sol a entrarem pela persiana. Os mesmos raios de sol que invadem os nossos queridos cafés, onde na esplanada se tomam deliciosos pequenos-almoços a ler jornal. Lisboa é de facto mais bonita, é uma encantadora capital europeia. Nem tudo funciona, é certo, mas pelo menos vai funcionando e a preços por ora bastante acessíveis. É pena que seja gerida a remendos e por pessoas que não respeitam os elementos que a caracterizam (de que a calçada portuguesa é exemplo), mas há-se sempre sobreviver. É necessário sair dela para lhe dar o total valor e para que nós próprios possamos tomar os bons exemplos estrangeiros e aplicá-los na nossa Lsiboa. É nosso dever salvá-la porque foi ela que nos viu crescer.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pirataria

Sempre mantive a minha posição contra a pirataria informática. Hoje em dia é tão fácil a sua prática que quase parece estar legalizada. No entanto, todos os filmes e álbuns musicais contêm uma nota de advertência que diz que as cópias dão direito a até dois anos de prisão, assim como os downloads grátis de sites duvidosos. Apesar disso, confesso que na minha adolescência cheguei a fazer downloads de algumas músicas, outras pedia a amigos. Mas nunca fiz o mesmo com os filmes. O que eu mais gostava era de ir adquirir um VHS e, mais tarde, um DVD acabado de sair de um filme que tivesse adorado ver no cinema. Ou, quando já não tinha apanhado um filme em cartaz que me parecesse bom, ia ao clube de DVD do bairro alugar. A minha atitude é não raras vezes motivo de riso e comentários sarcásticos por parte daqueles que me conhecem, mas eu nunca percebi porquê. Adoro sentir o filme nas minhas mãos, poder transportá-lo para qualquer lugar, ver a imagem da capa. Mais do que isso (e era essa a motivação principal da compra): todos os extras que o DVD incluía.
 
Hão-de ter reparado que usei os tempos verbais no Pretérito Passado e há uma razão para isso. Não, não passei a piratear filmes (muito menos a usar uma palha no olho). Mas quero apresentar o meu protesto: onde estão os extras, aquelas special features deliciosas que me prendiam quase tanto como o filme? Entrevistas exclusivas, o making of, o que o realizador tem a dizer, reportagens sobre temáticas em particular. E em particular vos trago um exemplo: o recém-editado DVD de Rush - Duelo de Rivais, que conta a história da rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda, cuminando no acidental quase mortal deste último. Era o que eu mais esperava ver de um filme tão emocionante e que conta uma história que marcou a história da Fórmula 1 no ano de 1976. Qual não é o meu espanto quando me dou conta de que o DVD se resumia ao filme em si. Apenas aquele que já tinha visto no cinema. Não haviam cenas extra, making of, uma reportagem sobre a história do desporto, nem sequer uma entrevista com o verdadeiro Niki Lauda, que podiam aproveitar o facto de ainda estar vivo. Ironicamente, posso encontrar tudo isto no YouTube. Sim, online, num site que nem sequer é proibido e não há problemas de direiros de autor.
 
Pergunta a fazer com uma resposta bastante óbvia: perante tudo isto, será que compensa a pessoa ser moralmente correcta e obedecer a esta lei em concreto? Eu diria que, neste momento, só tenho a perder se o continuar a fazer. Tenho pena que as grandes editoras não se mantenham fiéis ao público fiel que nunca as deixou mal.






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Bola de Ouro e a Democracia

Antes de mais, quero felicitar Cristiano Ronaldo pelo prémio, sem dúvida merecido, que recebeu ontem na gala da FIFA. É um grande orgulho para o próprio, para a sua familía e, também, para Portugal. Passámos à frente de outros nomes prováveis e provenientes de países bem maiores do que o nosso. Mas esta vitória deve ser para nós uma lição: o sucesso não nasce apenas do "jeito natural" que temos para fazer alguma coisa. É preciso prática, muito esforço, disciplina e trabalho árduo. E é por isso que digo que Ronaldo mereceu a Bola de Ouro. Tem trabalhado com toda a sua determinação tendo como finalidade este objectivo muito simples: ser o melhor de todos, ser o melhor do mundo. É esta aspiração que todos devemos ter nas nossas respectivas áreas. A perfeição é interdita à condição humana, mas podemos aproximar-nos dela um pouco mais a cada dia. Nunca lá chegamos porque a verdade é que nem todos os dias fazemos por isso ou nem todos os dias conseguimos dar um passo em frente, apesar de todo o esforço que possamos fazer. Por vezes, até recuamos...mas é nessas alturas que mais somos testados, logo, é nessas alturas que não devemos desistir. CR7, apesar de já ter sido o melhor do mundo uma primeira vez antes, não conseguiu o prémio no ano passado. Não desistiu, por maior que tenha sido a frustração que sentiu. Resultado: conseguiu e voltou a ganhar este ano.

Penso, muitas vezes, e ouço opiniões parecidas com a minha, que é uma pena que Portugal se destaque por pouco mais do que o futebol. Esta de facto não é uma área que me interesse especialmente, nem é a área que mais convém ao interesse dos país lá fora. Diplomatica, política e economicamente, este fenómeno nada afecta. Mas temos de ter em atenção vários aspectos que advém desta tendência.

Em primeiro lugar, o facto de termos um português como símbolo internacional de sucesso faz-nos, ainda que por vezes inconscientemente, ter um certo orgulho nacional e deixarmos de ter uma visão tão péssimista do nosso próprio povo. Essa visão vai sendo substituída por “afinal se calhar até somos capazes”. Por outro lado, como disse, o futebol não era, quanto a mim, o sector mais desejável de sucesso, mas fico contente que haja pelo menos algo em que somos realmente bons e que sejamos devidamente representados e respeitados, já que os nossos representantes políticos, apesar dos elevados estudos (?), não raramente nos deixam mal vistos.

Por último, há que ter em conta que Portugal tem outros sectores de actividade em que se destaca, seja na música (na voz de Mariza), seja na indústria do calçado, vinhos e, ainda mais, na beleza geográfica. As maiores cidades, Lisboa e Porto, são destinos turísticos bastante procurados pelos restantes europeus e, até, pessoas oriundas de outros continentes. Mas, mais importante do que isso, os próprios portugueses têm cada vez mais orgulho na sua terra e exploram territórios nacionais onde nunca foram antes de pensarem apenas nas viagens ao estrangeiro.

Gostava agora de fazer referência a discussões e debates que ultimamente aparecem e que, na minha óptica, não têm razão nenhuma de existir. O último exemplo foi, na ocasião da entrega da Bola de Ouro, o debate que ocorre a seguir, num dos canais portugueses, que se resume a uma critica conjunta e estruturada por parte dos comentadores do facto de o treinador Carlos Queiroz não ter votado em Cristiano Ronaldo para ser o melhor jogador do mundo. Em relação a esta situação caricata, tenho algumas perguntas a fazer. A primeira é: como é que sabem em quem o dito treinador votou? Supostamente, o voto seria secreto. Só se também há escutas e câmaras de vigilância para controlo destes votos. Uma outra conclusão, talvez mais credível, é que Carlos Queiroz terá revelado o voto a outra pessoa e, desde aí, a notícia ter-se-á espalhado. Esta lógica leva-me à segunda questão: onde é que está realmente a Democracia, aquela palavra tão bonita e apetecível de que tanto se ouve falar hoje em dia? Ninguém é obrigado a votar em ninguém apenas e só porque o eleitor era português e uma das opções de voto era portuguesa. A FIFA é uma associação internacional, em que é esperada uma análise o mais isenta possível de cada jogador, em vez de se basear uma decisão na nacionalidade desse jogador. Mais importante ainda, cada pessoa tem direito à sua opinião, senão a Democracia deixa de ter os valores que tiveram na sua génese, passando a ter características opressoras e tornar-se numa ditadura da opinião (das massas). A opinião de cada um deve ser respeitada e os outros não têm forçosamente de concordar com ela.

Há tendências novas que devem ser agarradas e depois há aquelas de devem ser paradas e repensadas, antes que seja tarde demais.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

As greves do costume

E amanhã temos mais uma greve do Metro de Lisboa. Sei que tem havido greves de vários transportes durante meses quase que consecutivos. Sei também que este é um direito que assiste a todos os trabalhadores, mas considero um abuso e uma falta de respeito para com o consumidor o que tem sucedido nos últimos tempos. Devo dizer, igualmente, que o meu estado de indignação me levou a escrever um e-mail aos recursos humanos do Metropolitano de Lisboa a expor a situação, ao qual nunca ninguém me respondeu. Ou se calhar talvez sim - ao continuarem com estas greves semanais.
A situação actual é difícil para todos os portugueses e as greves, além de não atingirem os objectivos para os quais existem, apenas prejudicam e dificultam o dia-a-dia dos cidadãos. que não se esqueçam que este transporte é um serviço público, o que, por definição, implicaria que fosse gratuito. Mas não é. E, além de o não ser, os preços aumentam a cada ano. E, ao contrário do que seria lógico, a subida de preço é inversamente proporcional à qualidade do serviço.
Podem também dizer que a greve é um protesto em nome de toda a população. Mas não é. É apenas uma forma prejudicial de fazerem uma birra que não leva a lado nenhum e os patrões ficam contentes, pois é menos um dia que têm de pagar aos funcionários.
Se o objectivo é causar transtorno, de facto é um pouco aborrecido, mas já todos nós arranjámos soluções alternativas de estarmos onde temos de estar todos os dias.
Para cúmulo, ainda querem fazer a seguinte celebração: "Há 54 anos a levá-lo ao seu destino". Agora pergunto eu: descontanto todos os dias de greve, quantos anos se teriam de subtrair?
 
Deixo-vos o seguinte artigo presente na edição impressa do jornal Público de ontem, dia 07 de Janeiro de 2014:

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Declaro aberto o blogue...de ambos os lados.

Esta página destina-se a a todos aqueles que queiram dar a sua opinião relativamente a qualquer assunto. Contanto que, obviamente, os comentários estejam circunscritos nos artigos que aqui vão sendo publicados. Tanto pode servir de diário, como de página expiatória de pensamentos, sensações e análises. Estas composições escritas podem muito bem ser relativas à actualidade, como a outros tempos que já passaram e até a possíveis projecções do futuro.
Devo avisar, por outro lado, que me recuso a escrever ao abrigo do novo acordo ortográfico, pelo menos até que não seja expressamente proibido não o fazer.
As línguas usadas neste blogue serão o português e o inglês, os idiomas de que mais gosto e foram apresentados por ordem de intensidade.
A última parte desta breve apresentação, mas talvez a mais significativa, prende-se com o título. Ab utroque latere é a expressão latina para "de ambos os lados". A minha escolha pela versão em latim não está associada a ser chique ou muito culta, mas ao facto de, para mim, o latim ser a língua mais franca e exacta, em que há uma honestidade e honra em todas as palavras. Faz sentido, já que foi em tempos idos que estes valores tinham de facto mais importância e eram respeitados. A outra razão do título é a expressão em si - tenho o objectivo de ser racional e imparcial nas minhas reflexões. Para entender uma questão a fundo, é necessário conhecer ambos os lados e equacioná-los. É com base nesta minha máxima que tento olhar para todas as questões com que me deparo. Tenho, por isso, a noção de que nem sempre é fácil e o nível de facilidade vai diminuindo quanto mais próximos nos for o assunto.