Sempre mantive a minha posição contra a pirataria informática. Hoje em dia é tão fácil a sua prática que quase parece estar legalizada. No entanto, todos os filmes e álbuns musicais contêm uma nota de advertência que diz que as cópias dão direito a até dois anos de prisão, assim como os downloads grátis de sites duvidosos. Apesar disso, confesso que na minha adolescência cheguei a fazer downloads de algumas músicas, outras pedia a amigos. Mas nunca fiz o mesmo com os filmes. O que eu mais gostava era de ir adquirir um VHS e, mais tarde, um DVD acabado de sair de um filme que tivesse adorado ver no cinema. Ou, quando já não tinha apanhado um filme em cartaz que me parecesse bom, ia ao clube de DVD do bairro alugar. A minha atitude é não raras vezes motivo de riso e comentários sarcásticos por parte daqueles que me conhecem, mas eu nunca percebi porquê. Adoro sentir o filme nas minhas mãos, poder transportá-lo para qualquer lugar, ver a imagem da capa. Mais do que isso (e era essa a motivação principal da compra): todos os extras que o DVD incluía.
Hão-de ter reparado que usei os tempos verbais no Pretérito Passado e há uma razão para isso. Não, não passei a piratear filmes (muito menos a usar uma palha no olho). Mas quero apresentar o meu protesto: onde estão os extras, aquelas special features deliciosas que me prendiam quase tanto como o filme? Entrevistas exclusivas, o making of, o que o realizador tem a dizer, reportagens sobre temáticas em particular. E em particular vos trago um exemplo: o recém-editado DVD de Rush - Duelo de Rivais, que conta a história da rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda, cuminando no acidental quase mortal deste último. Era o que eu mais esperava ver de um filme tão emocionante e que conta uma história que marcou a história da Fórmula 1 no ano de 1976. Qual não é o meu espanto quando me dou conta de que o DVD se resumia ao filme em si. Apenas aquele que já tinha visto no cinema. Não haviam cenas extra, making of, uma reportagem sobre a história do desporto, nem sequer uma entrevista com o verdadeiro Niki Lauda, que podiam aproveitar o facto de ainda estar vivo. Ironicamente, posso encontrar tudo isto no YouTube. Sim, online, num site que nem sequer é proibido e não há problemas de direiros de autor.
Pergunta a fazer com uma resposta bastante óbvia: perante tudo isto, será que compensa a pessoa ser moralmente correcta e obedecer a esta lei em concreto? Eu diria que, neste momento, só tenho a perder se o continuar a fazer. Tenho pena que as grandes editoras não se mantenham fiéis ao público fiel que nunca as deixou mal.

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