segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lisboa, minha cidade

Ainda não fui a muitos sítios, mas aqueles onde já fui conseguiram prover-me de uma ideia do quão diferentes duas regiões relativamente próximas podem ser. Refiro-me tanto à geografia, como à cultura, hábitos, quotidiano, arquitectura, educação. Resumindo: formas diferentes de ver uma mesma vida. Penso que é pelo facto de ficarmos a conhecer todas estas perspectivas diferentes que se diz que as viagens são as únicas coisas em que se gasta dinheiro e se fica mais rico. Concordo. O mais recente sítio onde fui foi Genebra, na Suíça. Muito sinceramente, adorei lá estar porque me identifico bastante com a experiência. Vive-se um intenso ambiente multicultural em (pelo menos aparente) simbiose. Os estilos arquitectónicos mais antigos e modernos misturam-se sem chocar. Faz mesmo parte da paisagem, o que leva a crer que há simultaneamente uma protecção da tradição e da história, mas há também uma receptividade do que é novo e inovador. Mais ainda: tudo funciona, todas as regras são cumpridas. Os serviços e transportes públicos são pontuais e eficientes, tal como as pessoas. Não são o povo mais simpático que se encontra, mas, quando abordadas, as pessoas são simpáticas e prestáveis. Vão directas ao assunto sem floreados ou necessidade de muitos sorrisos. Há um grande sentido cívico. Não se vêem carros mal estacionados ou em "segunda fila", não há pessoas a passar com o sinal vermelho (nem com o amarelo, quanto mais) e há um grande respeito pelos peões. Claro que também há excepções, mas não são de todo a regra.
Resumindo, Genebra é uma cidade eficiente e é aí que reside a sua beleza. Claro que a visão panorâmica da cidade é bastante agradável, mas o que me encatou foi que, mais do que tudo à minha ser bonito, percebi que tudo estava bem feito. Tudo está pensado racionalmente de baixo para cima.
Apesar de toda esta experiência, no entanto, nada no fim ultrapassa a minha querida e amada Lisboa. Por muitos buracos e ineficiência que ela possa ter, tudo isso vale a pena quando acordo de manhã com os raios de sol a entrarem pela persiana. Os mesmos raios de sol que invadem os nossos queridos cafés, onde na esplanada se tomam deliciosos pequenos-almoços a ler jornal. Lisboa é de facto mais bonita, é uma encantadora capital europeia. Nem tudo funciona, é certo, mas pelo menos vai funcionando e a preços por ora bastante acessíveis. É pena que seja gerida a remendos e por pessoas que não respeitam os elementos que a caracterizam (de que a calçada portuguesa é exemplo), mas há-se sempre sobreviver. É necessário sair dela para lhe dar o total valor e para que nós próprios possamos tomar os bons exemplos estrangeiros e aplicá-los na nossa Lsiboa. É nosso dever salvá-la porque foi ela que nos viu crescer.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pirataria

Sempre mantive a minha posição contra a pirataria informática. Hoje em dia é tão fácil a sua prática que quase parece estar legalizada. No entanto, todos os filmes e álbuns musicais contêm uma nota de advertência que diz que as cópias dão direito a até dois anos de prisão, assim como os downloads grátis de sites duvidosos. Apesar disso, confesso que na minha adolescência cheguei a fazer downloads de algumas músicas, outras pedia a amigos. Mas nunca fiz o mesmo com os filmes. O que eu mais gostava era de ir adquirir um VHS e, mais tarde, um DVD acabado de sair de um filme que tivesse adorado ver no cinema. Ou, quando já não tinha apanhado um filme em cartaz que me parecesse bom, ia ao clube de DVD do bairro alugar. A minha atitude é não raras vezes motivo de riso e comentários sarcásticos por parte daqueles que me conhecem, mas eu nunca percebi porquê. Adoro sentir o filme nas minhas mãos, poder transportá-lo para qualquer lugar, ver a imagem da capa. Mais do que isso (e era essa a motivação principal da compra): todos os extras que o DVD incluía.
 
Hão-de ter reparado que usei os tempos verbais no Pretérito Passado e há uma razão para isso. Não, não passei a piratear filmes (muito menos a usar uma palha no olho). Mas quero apresentar o meu protesto: onde estão os extras, aquelas special features deliciosas que me prendiam quase tanto como o filme? Entrevistas exclusivas, o making of, o que o realizador tem a dizer, reportagens sobre temáticas em particular. E em particular vos trago um exemplo: o recém-editado DVD de Rush - Duelo de Rivais, que conta a história da rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda, cuminando no acidental quase mortal deste último. Era o que eu mais esperava ver de um filme tão emocionante e que conta uma história que marcou a história da Fórmula 1 no ano de 1976. Qual não é o meu espanto quando me dou conta de que o DVD se resumia ao filme em si. Apenas aquele que já tinha visto no cinema. Não haviam cenas extra, making of, uma reportagem sobre a história do desporto, nem sequer uma entrevista com o verdadeiro Niki Lauda, que podiam aproveitar o facto de ainda estar vivo. Ironicamente, posso encontrar tudo isto no YouTube. Sim, online, num site que nem sequer é proibido e não há problemas de direiros de autor.
 
Pergunta a fazer com uma resposta bastante óbvia: perante tudo isto, será que compensa a pessoa ser moralmente correcta e obedecer a esta lei em concreto? Eu diria que, neste momento, só tenho a perder se o continuar a fazer. Tenho pena que as grandes editoras não se mantenham fiéis ao público fiel que nunca as deixou mal.