Ainda não fui a muitos sítios, mas aqueles onde já fui conseguiram prover-me de uma ideia do quão diferentes duas regiões relativamente próximas podem ser. Refiro-me tanto à geografia, como à cultura, hábitos, quotidiano, arquitectura, educação. Resumindo: formas diferentes de ver uma mesma vida. Penso que é pelo facto de ficarmos a conhecer todas estas perspectivas diferentes que se diz que as viagens são as únicas coisas em que se gasta dinheiro e se fica mais rico. Concordo. O mais recente sítio onde fui foi Genebra, na Suíça. Muito sinceramente, adorei lá estar porque me identifico bastante com a experiência. Vive-se um intenso ambiente multicultural em (pelo menos aparente) simbiose. Os estilos arquitectónicos mais antigos e modernos misturam-se sem chocar. Faz mesmo parte da paisagem, o que leva a crer que há simultaneamente uma protecção da tradição e da história, mas há também uma receptividade do que é novo e inovador. Mais ainda: tudo funciona, todas as regras são cumpridas. Os serviços e transportes públicos são pontuais e eficientes, tal como as pessoas. Não são o povo mais simpático que se encontra, mas, quando abordadas, as pessoas são simpáticas e prestáveis. Vão directas ao assunto sem floreados ou necessidade de muitos sorrisos. Há um grande sentido cívico. Não se vêem carros mal estacionados ou em "segunda fila", não há pessoas a passar com o sinal vermelho (nem com o amarelo, quanto mais) e há um grande respeito pelos peões. Claro que também há excepções, mas não são de todo a regra.
Resumindo, Genebra é uma cidade eficiente e é aí que reside a sua beleza. Claro que a visão panorâmica da cidade é bastante agradável, mas o que me encatou foi que, mais do que tudo à minha ser bonito, percebi que tudo estava bem feito. Tudo está pensado racionalmente de baixo para cima.
Apesar de toda esta experiência, no entanto, nada no fim ultrapassa a minha querida e amada Lisboa. Por muitos buracos e ineficiência que ela possa ter, tudo isso vale a pena quando acordo de manhã com os raios de sol a entrarem pela persiana. Os mesmos raios de sol que invadem os nossos queridos cafés, onde na esplanada se tomam deliciosos pequenos-almoços a ler jornal. Lisboa é de facto mais bonita, é uma encantadora capital europeia. Nem tudo funciona, é certo, mas pelo menos vai funcionando e a preços por ora bastante acessíveis. É pena que seja gerida a remendos e por pessoas que não respeitam os elementos que a caracterizam (de que a calçada portuguesa é exemplo), mas há-se sempre sobreviver. É necessário sair dela para lhe dar o total valor e para que nós próprios possamos tomar os bons exemplos estrangeiros e aplicá-los na nossa Lsiboa. É nosso dever salvá-la porque foi ela que nos viu crescer.
